Neuroeducação e jogos de mesa (parte 7) – Atenção e memória

Family playing chess together at home in the living room at home

Como você pode auxiliar no desenvolvimento do seu filho? Continue acompanhando nossa série que mostra como a neuroeducação os jogos de tabuleiro podem ajuda-lo nessa jornada.

Se perdeu a primeira parte clique aqui, segunda parte aqui, terceira parte aqui, quarta parte aqui, a quinta parte aqui e a sexta parte está aqui.

ATENÇÃO E MEMÓRIA

A atenção é um processo onde se foca a percepção que nos permite orientar e controlar a atividade diante de um determinado estímulo. Requisito imprescindível para qualquer aprendizagem, trata-se de um processo complexo cujo estímulo não pode ser separado de muitas outras funções cerebrais, pois outros processos como o da memória, da orientação ou da execução são interdependentes dela; por isso, ao estimulá-la se favorece uma melhora na eficiência cognitiva de diversas outras funções mentais.

A memória “é uma função neurocognitiva que permite registrar, codificar, consolidar, reter, armazenar, recuperar e buscar a informação previamente armazenada. Enquanto a aprendizagem é a capacidade de adquirir informações novas, a memória é a capacidade para reter a informação aprendida” (J.A. Portelllano, 2005).

A interdependência entre atenção e memória é evidente, sendo que os processos de atenção são essenciais para poder registrar a informação; depois existe um processo para armazenar a informação e finalmente um processo de recuperação da informação previamente armazenada. Todo este processo requer estratégias cognitivas nas quais além de interpretar a informação recebida, é feita uma análise, uma categorização e uma associação e relação com outros conhecimentos já adquiridos.

A eficácia do treinamento da atenção e da memória se alcança em um contexto ecológico, ou seja, realizando atividades que tenham uma relação direta com o meio natural que rodeia o alunado, atividades que sejam significativas e de grande interesse para eles.. O jogo de mesa permite a aproximação da criança com este meio, pois os temas têm afinidade com seus interesses. Além disso, não estão relacionados com um programa de treinamento da atenção e da memória, e são apresentados como um desafio lúdico, o qual, como foi explicado anteriormente, desencadeia diversos processos de ativação dos neurônios.

Como dissemos, toda atividade implica em um processo de atenção; Se a isso adicionamos o fato de que uma prática habitual que vá incorporando o conhecimento da temática do jogo, chegaremos facilmente à conclusão de que não existe jogo que não exercite as duas funções. Enumeramos, em seguida, aqueles que permitem um estímulo de uma forma mais direta.

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Fantasma Blitz permite o desenvolvimento contínuo da atenção. (Leia nossa análise sobre ele aqui).

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1, 2, 3! Agora é a sua vez!, facilita a aquisição de estratégias de repetição, agrupamento, classificação e recordação de imagens.

Exemplo 1

Cocoricó, Cocorocó! é um jogo apropriado para iniciar crianças menores nos processos de atenção e memorização. Utiliza uma estratégia similar aos chamados “jogos da memória”. (Leia nossa análise sobre ele aqui).

Jpeg

A Escada Assombrada é um recurso apropriado para os processos básicos nestas áreas (leia nossa análise sobre esse jogo aqui).

Terra

Terra é um jogo que ativa processos associativos, relaciona a informação nova com conhecimentos adquiridos previamente, estratégia que permite melhorar os processos de memorização.

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Neuroeducação e jogos de mesa (parte 4) – Aptidão Verbal

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Continuamos a excelente série de artigos sobre Neuroeducação e como os jogos de tabuleiro podem contribuir para o desenvolvimento da criançada (se perdeu a parte 1 pode acessa-la aqui, já a parte 2 está aqui e a parte 3 aqui).

Antes de nos aprofundarmos em como o jogo de mesa permite desenvolver as diferentes aptidões acadêmicas, devemos salientar a sua relação com outros fatores, como o desenvolvimento emocional e social. E do mesmo modo que não podemos separar as moléculas da água, porque se o fizéssemos teríamos outro elemento, também não podemos desvincular estes fatores do desenvolvimento cognitivo. As emoções condicionam nossas atitudes de tal maneira que se relacionamos uma atividade com algo positivo, isso gera uma serie de conexões que, em longo prazo, criam uma identidade. Do mesmo modo, a competição social e a interação com os demais, e a aprendizagem compartilhada, permitem gerar vínculos imprescindíveis para um desenvolvimento integral e o aprender com os demais, graças aos neurônios espelhos1 (Rizzolatti, 2006).

Devido a estes neurônios, entendemos aos demais, somos capazes de vincular-nos mental e emocionalmente, interpretar suas ações e suas intenções e desse modo chegamos à aprendizagem por imitação.

Por esta razão é importante que no âmbito educativo se promova a interação dos grupos, não somente para conectá-los socialmente, como também como um método eficaz de provocar a aprendizagem. Definitivamente, através do jogo de mesa possibilitamos a conexão social, cognitiva e emocional que geram os neurônios espelhos, estabelecendo um sistema de ensino eficaz.

A seguir, descreveremos brevemente algumas das aptidões básicas que devem ser desenvolvidas, relacionando cada uma delas com diversos recursos de jogos de mesa.

Aptidão Verbal

A linguagem é o instrumento mais importante da relação, comunicação e expressão com os demais. Como ferramenta nos permite construir o pensamento e compreender a realidade. Portanto, a aptidão verbal nos permite raciocinar, resolver problemas e trabalhar com conteúdos e com um componente cultural. Seu desenvolvimento facilita a conexão associativa entre diferentes conceitos, que é um dos mais importantes aspectos do desenvolvimento cerebral.

Se esta aptidão for exclusivamente relacionada com a linguagem, também estará com a habilidade de interpretar e extrair informações de gráficos e tabelas e, portanto, com a habilidade de analisar e compreender tanto informações verbais quanto numéricas.

O jogo de mesa é uma das atividades grupais que mais favorece intercomunicação e dialogo intensos; requer múltiplas ações para trocar, solucionar, negociar e chegar a um acordo. Para atingir o objetivo do jogo a linguagem é essencial, ativando assim, os processos de escuta ativa e de expressão oral significativos.

Um dos pilares da etapa primária da educação é adquirir habilidade linguística suficiente para compreender o significado do texto. O processo é iniciado na pré-escola, aprimorado no fundamental I e aprofundado nos ciclos seguintes. Neste sentido, o desenvolvimento da área verbal está implícito em cada jogo de mesa, pois em todos há a necessidade de se ler e compreender as regras para poder jogar, as quais podem ser mais ou menos complexas, de modo que os jogos aqui apresentados contribuirão para se adquirir esta compreensão leitora. Mas, alguns destes jogos apresentam características ideais para a estimulação da aptidão verbal:

Codenames

Código secreto, recurso inovador já que permite estabelecer associações entre diferentes palavras de uma maneira muito criativa.

Set

Set, este jogo é ideal para estimular as crianças na percepção do mundo que as rodeia, e melhora também a atenção visual (viso percepção). Permite estabelecer sequências e associá-las a diferentes categorias.

Sopa

Sopa de bichos, indicado especialmente para o desenvolvimento da fluidez semântica, principalmente por que são jogos simples que colocam à prova a capacidade de reagir junto com a recuperação do vocabulário.

Forbidden

A ilha proibida, jogo cooperativo com uma grande força narrativa que facilita o diálogo e o consenso na tomada de decisões, portanto, que promove uma intensa atividade argumentativa.

Exemplo 1

Salada de bichos

Este jogo desenvolve a fluidez fonológica, imprescindível para melhorar a competência da leitura e da escrita, mas ao mesmo tempo está relacionado com outras funções, como, por exemplo, a velocidade de processamento, o controle inibitório, a atenção etc., e permite que se tenha uma resposta imediata aos erros.

Diversas áreas cerebrais são ativadas enquanto jogamos: o próprio desafio que se supõe o de jogar ativa o sistema límbico, uma das áreas que desencadeia a secreção de dopamina, e a dirige para a área pré-frontal, ativando, assim, diferentes funções executivas; a área occipital permitirá a interpretação viso perceptiva que inclui a capacidade de entender o mundo que nos rodeia, esta função representa o mais alto nível de processamento visual do cérebro; a área parietal permite orientar o que percebemos; a área temporal, interpretar o que vemos; a área de Broca, responsável pela linguagem e área de Wernicke responsável pelo conhecimento, interpretação e associação das informações, mais especificamente a compreensão da linguagem; a área auditiva primária e a área auditiva associativa, que ativamos quando escutamos a resposta das demais, para poder codificar, associar, interpretar etc., e para que desta forma a área motora primária, possa emitir uma resposta.

Estas são algumas das áreas implicadas, entre muitas outras. Esta explicação serve como exemplo para compreender como uma atividade na qual o aluno intervenha é muito mais enriquecedora que uma atividade onde a única coisa que é exigida deles é que atuem como receptores de uma mensagem.

Salada 2

E nos próximos artigos vamos falar a respeito de outras aptidões, como aptidão numérica, espacial e de raciocínio lógico, não perca 🙂

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Neuroeducação e jogos de mesa (parte 3)

Play 2

Continuamos a série sobre Neuroeducação e como os jogos de tabuleiro podem contribuir para o desenvolvimento da criançada (se perdeu a parte 1 pode acessa-la aqui, já a parte 2 está aqui).

Os últimos avanços em neurociência contribuíram para um maior conhecimento do funcionamento do cérebro, permitindo-nos compreender como podemos desenvolver e potencializar melhor nossas capacidades. Isso implica num interesse crescente em incorporar este conhecimento a campos como os da economia, da arquitetura, da filosofia, da publicidade, da estética etc., e, por conseguinte, no âmbito educativo. Surge assim uma nova disciplina: a neurociência junto com a psicologia e a pedagogia, com o objetivo de revolucionar o sistema educativo.

A neuroeducação apresenta um novo modelo que questiona o sistema educativo atual e sua crescente carga curricular, empenhado em criar futuros profissionais competentes em vez de competitivos.

O sistema vigente está falhando ao excluir grande parte da população e provocando altas taxas de reprovação e abandono escolar. Ter mais conhecimentos não é uma aposta válida na atual era tecnológica. É mais importante saber utilizar tais conhecimentos e aprender a gerir os recursos de que dispomos, aprender a gerar e produzir. Grande parte do professorado tem consciência de que deveria ser este o objetivo, e que deveríamos realizar mudanças substanciais tanto nos conteúdos curriculares quanto na metodologia do ensino.
Apesar de que do ponto de vista da neuroeducação se aposte numa mudança radical nos objetivos da educação e no modo de aprender, o certo é que as técnicas educativas esbarram na burocracia e na lentidão do sistema.

Por isso, surgem iniciativas individuais ou coletivas, do professorado, dos centros educativos e de grupos associados que defendem mudanças no ensino desde seus alicerces. Estas iniciativas conseguem acompanhar a evolução da tecnologia atual e, apoiando-se no movimento “Mente, Cérebro e Educação”, incorporar as contribuições da neurociência educativa.

Um bom exemplo disso é encontrado na obra de David Souza (2014), que salienta a importância de abordar novas experiências que favoreçam a ativação neuronal, e a necessidade do desafio para manter a atenção e o peso de um feedback positivo, que além disso seja imediato e facilite a aprendizagem eficaz.

O desafio, as recompensas e a vontade de superação são componentes que perseguem o cérebro, pois permitem a ativação neuronal, favorecendo um contexto de aprendizagem. Quando alguma coisa é um desafio para nós, quando desperta nossa curiosidade e nos emociona, permitimos a ativação da amígdala, uma parte do sistema límbico que ativa a secreção de dopamina.

A dopamina é um neurotransmissor que melhora o rendimento da área pré-frontal, consequentemente melhorará também os processos de atenção, os quais possibilitam a aprendizagem. Este é o tipo de experiência “positiva” que o cérebro gosta de repetir constantemente em sua busca permanente por experiências satisfatórias. Só se aprende aquilo que se ama, somente através da emoção e do usufruto, é que conseguimos aprender (Francisco Mora, 2013), ou o que dá no mesmo, somente a emoção e o experimentar nos permitem aprender.

Um feedback imediato e as recompensas permitirão manter o estado de atenção necessário.

Cerebro

A plasticidade cerebral é outra das contribuições mais relevantes da neuropsicologia: um cérebro estimulado aumenta suas conexões neurais, e, consequentemente, aumenta seu rendimento e o desenvolvimento de suas capacidades cognitivas. Estas redes se constroem e se redesenham continuamente, como se tratassem de caminhos. Vem daí a importância de oferecer contextos adequados e motivadores dentro da sala de aula. Se, ao contrário, nos invade o desinteresse e o repúdio pelas atividades escolares, criamos uma identidade neuronal negativa, com graves consequências em longo prazo.

O jogo é o espaço onde se encontram todos os elementos que propõe a neuroeducação. Não existe nenhuma outra atividade que oferece desafio, com desejo de superação, feedback imediato, recompensas e, sobretudo, emoção.

Esse é o motivo pelo qual, para facilitar uma estimulação neurocognitiva, psicólogos, neuropsicólogos e psicopedagogos, como Howard-Jones (2011), Mora (2012) e Portellano (2014) recomendam:

• Dar prioridade a aspectos maturativos antes dos curriculares.

• Tratar de temáticas que sejam de seu interesse (contexto ecológico).

• Dar muita importância às emoções porque sem elas não há aprendizagem.

• Estimular dentro da aula convencional: de forma inclusiva e colaborativa, em grupos, estimulando as relações interpessoais.

• Favorecer o processo criativo.

•Realizar atividades lúdicas, em seu ambiente natural.

Da neurociência também podemos extrair o seguinte: o estimulo é uma função que melhora outras funções. Em outras palavras, facilitar a aprendizagem de uma habilidade possibilita o desenvolvimento de outras áreas. A escola de hoje tem se dedicando a classificar meninos e meninas, fornecendo diagnósticos (TDA, TDAH, dislexia, transtornos de linguagem, transtornos de desenvolvimento etc.), que só valorizam suas debilidades, sem se aprofundar em suas seguranças.

As intervenções se preocupam habitualmente em melhorar aqueles pontos em que os alunos têm ou estão com deficiência, aquilo que provoca neles repulsa e de que não gostam, frustrando assim, grande parte do aluna e suas famílias, (23% dos meninos e meninas têm algum tipo de dificuldade de aprendizagem).

Podemos combater esta situação usando a ideia revolucionária “deixar de centrar nas debilidades do aluno e permitir seu neurodesenvolvimento a partir de suas seguranças” (Armstrong, 2012).

Permitamos o desenvolvimento de todo seu potencial como ponto de partida para que o aluna acredite em suas possibilidades e tenha uma postura proativa diante da aprendizagem. E isto só se consegue com um entorno motivador, com espaços onde possam ser ativos e criar a partir de algo que os incentive, ou que os faça reportar à ideia inicial, fazendo desta forma, uma interconexão entre as diferentes áreas cerebrais, incentivando o desenvolvimento de outras áreas que ainda não estão consolidadas.

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Neuroeducação e jogos de mesa (parte 2)

Play

A editora DEVIR disponibilizou um material muito interessante e relevante para quem deseja entender melhor a relação entre a neurociência e os jogos de tabuleiro.

Vamos publicar esse material em partes, por se tratar de um assunto relativamente extenso e que merece a devida atenção para quem deseja entender melhor como os jogos podem auxiliar no desenvolvimento.

Um agradecimento especial à DEVIR por disponibilizar um material tão rico e instigante e vamos para a parte 2 (se perdeu a primeira parte leia aqui).

“O jogo é um dos direitos da infância garantido pelo artigo 31 da Declaração dos Direitos da Criança: a criança tem direito à diversão, ao jogo e a participar de atividades artísticas e culturais. Os Estados Partes respeitarão e promoverão oportunidades apropriadas, em condições de igualdade, de participar da vida cultural, artística, recreativa e de diversão.
No entanto, já em 2013 o Comitê dos Direitos da Criança das Nações Unidas alertou que havia pouco reconhecimento deste direito por parte dos países-membros, Espanha entre eles. Tentando apaziguar esta situação, o Congresso dos Deputados assinou em 2014, uma declaração para promover o direito ao jogo através do fornecimento de oportunidades de tempo e espaço para que as crianças possam compartilhar de jogos espontâneos, brincadeiras e criatividade.

Os especialistas dizem que o jogo é fundamental para a saúde e o desenvolvimento das crianças, pois as crianças que jogamos mais desenvolvem melhor suas capacidades e vivem mais felizes e saudáveis; que através deste meio aprendem valores fundamentais e desenvolvem habilidades como: respeitar normas, ter paciência, ter empatia com seus semelhantes, resolver situações, tolerar as frustrações etc. Graças aos jogos, podem exteriorizar suas emoções e aprendem a lidar com seus fracassos e problemas.

Recuperar o ambiente de jogo é, portanto, uma prioridade da sociedade atual, que devolveria, assim, um direito e satisfaria a necessidade vital para seu bom desenvolvimento. Porque através do jogo conseguimos não somente nos divertir, mas também adquirir conhecimentos, melhorar a autoestima, estabelecer vínculos afetivos e, sobretudo, criar espaços de cooperação e de comunicação, estabelecendo cumplicidades que permitem melhorar a socialização dos indivíduos.

O jogo constitui a pedra fundamental de uma infância saudável e próspera.”

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Neuroeducação e jogos de mesa (parte 1)

Play

A editora DEVIR disponibilizou um material muito interessante e relevante para quem deseja entender melhor a relação entre a neurociência e os jogos de tabuleiro.

Vamos publicar esse material em partes, por se tratar de um assunto relativamente extenso e que merece a devida atenção para quem deseja entender melhor como os jogos podem auxiliar no desenvolvimento.

Um agradecimento especial à DEVIR por disponibilizar um material tão rico e instigante.

“Caro leitor: nesta introdução queremos convidá-lo a fazer uma reflexão, uma viagem à sua infância para que você mergulhe em suas lembranças relacionadas aos jogos. Quais são suas primeiras recordações relacionadas com uma atividade lúdica? Você jogava na rua, com sua família, com seus amigos do bairro? Era um jogo especial, um jogo de mesa? Recupere estas vivências que foram compartilhadas e tente ligá-las às emoções que eram despertadas e à paixão com que você as vivia. É bem provável que você lembre delas com prazer, com grande satisfação, e que elas te façam recordar momentos agradáveis da sua vida.

O jogo, tanto em si, como no contexto no qual é produzido, desempenha um papel essencial no desenvolvimento cognitivo, emocional e social de uma pessoa. Através do jogo aprendemos a nos conhecer e aos demais, a colocar em prática estratégias e a experimentar situações que nos fazem compreender o mundo em que vivemos. O jogo promove a construção e o desenvolvimento de nossa personalidade, ajudando em sua formação. Quando jogamos, exploramos o nosso interior, somos capazes de vencer nossos medos e aprofundamos a nossa vontade de superar qualquer situação.

Estabelecemos um desafio conosco mesmos, com nosso próprio eu, permitindo que acreditemos em nossas possibilidades, fortalecendo-as e potencializando-as. E isso, de nos apoiarmos na crença de nossas possibilidades, é o que vai favorecer uma postura ativa no desenvolvimento de nossas capacidades.

Vamos nos posicionar agora no panorama atual da infância. Como as nossas crianças investem seu tempo livre? Depois de uma longa jornada escolar, grande parte do tempo livre é dedicada a diversas atividades extra escolares como: inglês, robótica, informática, esportes, música etc. Todas seriam válidas se tivessem um componente lúdico e informal, mas lamentavelmente estão marcadas pelo mesmo padrão que oferece o sistema educativo, e seu objetivo final é formar pessoas mais competentes do ponto de vista de uma sociedade cada vez mais exigente.

A incerteza profissional sobre o futuro nos invade e nos faz perguntar o que será deles no futuro e, visualizando este amanhã mais ou menos longínquo, nos esquecemos do momento presente, desta etapa essencial de suas vidas, a qual determinará e marcará seu futuro e, assim, organizamos seu tempo de forma que estejam sempre ocupados.

Ainda que nossa intenção seja desenvolver suas competências e habilidades cognitivas, nos esquecemos que para enfrentar seu futuro, não basta potencializar suas capacidades, outros elementos também são necessários para que adquiram confiança em si mesmos, para que sejam determinados e capazes de tomar decisões. Também precisam aprender a administrar suas emoções e interagir com os demais e com a sociedade onde vivem.

Nosso melhor legado será fortalecer estas crianças com mais experiências do que conhecimentos, permitindo e promovendo o desenvolvimento de outras capacidades, como a criatividade e a imaginação, produzindo desta maneira, uma mente fértil e geradora de ideias.”

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