Neuroeducação e jogos de mesa (parte 3)

Play 2

Continuamos a série sobre Neuroeducação e como os jogos de tabuleiro podem contribuir para o desenvolvimento da criançada (se perdeu a parte 1 pode acessa-la aqui, já a parte 2 está aqui).

Os últimos avanços em neurociência contribuíram para um maior conhecimento do funcionamento do cérebro, permitindo-nos compreender como podemos desenvolver e potencializar melhor nossas capacidades. Isso implica num interesse crescente em incorporar este conhecimento a campos como os da economia, da arquitetura, da filosofia, da publicidade, da estética etc., e, por conseguinte, no âmbito educativo. Surge assim uma nova disciplina: a neurociência junto com a psicologia e a pedagogia, com o objetivo de revolucionar o sistema educativo.

A neuroeducação apresenta um novo modelo que questiona o sistema educativo atual e sua crescente carga curricular, empenhado em criar futuros profissionais competentes em vez de competitivos.

O sistema vigente está falhando ao excluir grande parte da população e provocando altas taxas de reprovação e abandono escolar. Ter mais conhecimentos não é uma aposta válida na atual era tecnológica. É mais importante saber utilizar tais conhecimentos e aprender a gerir os recursos de que dispomos, aprender a gerar e produzir. Grande parte do professorado tem consciência de que deveria ser este o objetivo, e que deveríamos realizar mudanças substanciais tanto nos conteúdos curriculares quanto na metodologia do ensino.
Apesar de que do ponto de vista da neuroeducação se aposte numa mudança radical nos objetivos da educação e no modo de aprender, o certo é que as técnicas educativas esbarram na burocracia e na lentidão do sistema.

Por isso, surgem iniciativas individuais ou coletivas, do professorado, dos centros educativos e de grupos associados que defendem mudanças no ensino desde seus alicerces. Estas iniciativas conseguem acompanhar a evolução da tecnologia atual e, apoiando-se no movimento “Mente, Cérebro e Educação”, incorporar as contribuições da neurociência educativa.

Um bom exemplo disso é encontrado na obra de David Souza (2014), que salienta a importância de abordar novas experiências que favoreçam a ativação neuronal, e a necessidade do desafio para manter a atenção e o peso de um feedback positivo, que além disso seja imediato e facilite a aprendizagem eficaz.

O desafio, as recompensas e a vontade de superação são componentes que perseguem o cérebro, pois permitem a ativação neuronal, favorecendo um contexto de aprendizagem. Quando alguma coisa é um desafio para nós, quando desperta nossa curiosidade e nos emociona, permitimos a ativação da amígdala, uma parte do sistema límbico que ativa a secreção de dopamina.

A dopamina é um neurotransmissor que melhora o rendimento da área pré-frontal, consequentemente melhorará também os processos de atenção, os quais possibilitam a aprendizagem. Este é o tipo de experiência “positiva” que o cérebro gosta de repetir constantemente em sua busca permanente por experiências satisfatórias. Só se aprende aquilo que se ama, somente através da emoção e do usufruto, é que conseguimos aprender (Francisco Mora, 2013), ou o que dá no mesmo, somente a emoção e o experimentar nos permitem aprender.

Um feedback imediato e as recompensas permitirão manter o estado de atenção necessário.

Cerebro

A plasticidade cerebral é outra das contribuições mais relevantes da neuropsicologia: um cérebro estimulado aumenta suas conexões neurais, e, consequentemente, aumenta seu rendimento e o desenvolvimento de suas capacidades cognitivas. Estas redes se constroem e se redesenham continuamente, como se tratassem de caminhos. Vem daí a importância de oferecer contextos adequados e motivadores dentro da sala de aula. Se, ao contrário, nos invade o desinteresse e o repúdio pelas atividades escolares, criamos uma identidade neuronal negativa, com graves consequências em longo prazo.

O jogo é o espaço onde se encontram todos os elementos que propõe a neuroeducação. Não existe nenhuma outra atividade que oferece desafio, com desejo de superação, feedback imediato, recompensas e, sobretudo, emoção.

Esse é o motivo pelo qual, para facilitar uma estimulação neurocognitiva, psicólogos, neuropsicólogos e psicopedagogos, como Howard-Jones (2011), Mora (2012) e Portellano (2014) recomendam:

• Dar prioridade a aspectos maturativos antes dos curriculares.

• Tratar de temáticas que sejam de seu interesse (contexto ecológico).

• Dar muita importância às emoções porque sem elas não há aprendizagem.

• Estimular dentro da aula convencional: de forma inclusiva e colaborativa, em grupos, estimulando as relações interpessoais.

• Favorecer o processo criativo.

•Realizar atividades lúdicas, em seu ambiente natural.

Da neurociência também podemos extrair o seguinte: o estimulo é uma função que melhora outras funções. Em outras palavras, facilitar a aprendizagem de uma habilidade possibilita o desenvolvimento de outras áreas. A escola de hoje tem se dedicando a classificar meninos e meninas, fornecendo diagnósticos (TDA, TDAH, dislexia, transtornos de linguagem, transtornos de desenvolvimento etc.), que só valorizam suas debilidades, sem se aprofundar em suas seguranças.

As intervenções se preocupam habitualmente em melhorar aqueles pontos em que os alunos têm ou estão com deficiência, aquilo que provoca neles repulsa e de que não gostam, frustrando assim, grande parte do aluna e suas famílias, (23% dos meninos e meninas têm algum tipo de dificuldade de aprendizagem).

Podemos combater esta situação usando a ideia revolucionária “deixar de centrar nas debilidades do aluno e permitir seu neurodesenvolvimento a partir de suas seguranças” (Armstrong, 2012).

Permitamos o desenvolvimento de todo seu potencial como ponto de partida para que o aluna acredite em suas possibilidades e tenha uma postura proativa diante da aprendizagem. E isto só se consegue com um entorno motivador, com espaços onde possam ser ativos e criar a partir de algo que os incentive, ou que os faça reportar à ideia inicial, fazendo desta forma, uma interconexão entre as diferentes áreas cerebrais, incentivando o desenvolvimento de outras áreas que ainda não estão consolidadas.

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