Quissama – Um jogão nacional!

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Quissama é baseado no livro de Maicon Tenfen, onde a história se passa no Rio de Janeiro, dezembro de 1868. O moleque Vitorino Quissama foge da senzala para procurar a mãe desaparecida. Recorre ao viajante Daniel Woodruff, ex-agente da Scotland Yard que pode ajudá-lo em sua missão. Transitando entre os salões da corte e as precárias moradias dos cortiços, a dupla terá de enfrentar os perigos e as injustiças de uma sociedade sustentada pelo trabalho escravo. Baseado nos manuscritos de Daniel Woodruff (1832-1910), ‘O Império dos Capoeiras’ reconstitui a saga de uma cidade dividida pela guerra secreta dos Nagoas e Guaiamuns, duas das maiores e mais temidas maltas do século XIX. Numa época em que o escritor José de Alencar era Ministro da Justiça e o Império do Brasil destinava todos os seus recursos à Guerra do Paraguai, Woodruff mal podia imaginar que, por trás da busca pessoal de Vitorino, insinuava-se uma conspiração que mudaria os rumos da nossa História.

Em meio a tudo isso o seu objetivo no jogo para então vencer é influenciar os personagens, traze-los para sua mesa e cumprir o objetivo de vitória de um deles.

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Cada personagem tem uma habilidade especial e um objetivo de vitória, por exemplo o comerciante Araújo dá como habilidade especial uma moeda extra para cada comércio seu funcional e tem como objetivo de vitória ativar quatro comércios seus. O ministro da Justiça José de Alencar tem como habilidade colocar um ministro pagando apenas duas das três cartas necessárias e tem como objetivo ter dois comércios ativos e dois ministros.

Você pode no decorrer do jogo influenciar e trazer para sua mesa quantos personagens desejar, porém só precisa conquistar o objetivo de vitória de um deles para ser o vencedor.

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Para influenciar o personagem você deve pagar o custo dele duas vezes e nada impede que outros jogadores estejam na disputa com você pelo mesmo personagem.

Além disso no tabuleiro temos diversos locais que podem ser usados pelos jogadores para obter-se então certos benefícios:

– O Ministério permite que o jogador compre uma ou mais cartas no início do seu turno dependendo do número de ministros que ele possui lá.

– O comércio funcional (com seu burguês mais dois trabalhadores) lhe dá uma moeda por turno, sendo possível ter mais de um comércio funcional.

– A praça protege seu comércio de ataques e provê os trabalhadores para os comércios.

– O cortiço chamado de “Cabeça de Porco” é o único local do jogo que está vinculado com um personagem (O Alemão) e, portanto, só traz benefício para quem estiver com ele durante o jogo.

Além disso os diversos locais no tabuleiro podem estar ligados com o objetivo de vitória de alguns personagens, o que torna cada lugar no tabuleiro uma “via de duas mãos” onde ao ativar certos locais você pode estar colaborando (ou não) para a vitória do adversário.

Além dos locais, o tabuleiro possui nas suas bordas uma “cola” com as ações possíveis de serem realizadas durante o turno de cada jogador.

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Cada jogador pode durante o seu turno realizar a quantidade de ações que sua mão de cartas lhe permitir, e as ações possíveis são as seguintes:

– Colocar um ministro no ministério (Essa ação precisa de uma carta de burguês, moeda e coroa)

– Colocar um comerciante (precisa de uma carta de burguês e duas moedas)

– Libertar um escravo e colocá-lo em uma das praças (precisa da carta do capoeira e de liberdade)

-Empregar um capoeira da praça em seu comércio ou no Cabeça de porco (precisa da carta do capoeira mais duas moedas)

– Atacar uma praça ou comércio (três cartas de capoeira, sendo que os Nagoas atacam os Guaiamuns e vice-versa)

O jogo então inicia-se com cada jogador selecionando o conjunto de Meeples que usará (jogo comporta de 2 a 4 jogadores, algumas versões do jogo vêm com um conjunto extra de Meeples para acomodar um quinto jogador).

Em seguida cada um posiciona um Meeple em um dos comércios disponíveis no tabuleiro. Também é necessário posicionar dois capoeiras em cada uma das quatro praças do tabuleiro.

Por último cada um recebe cinco cartas e o jogo inicia-se, cada jogador na sua rodada pode trocar uma carta da sua mão com uma das três cartas disponíveis no mercado, em seguida ele usa a habilidade especial do personagem que está na sua mesa, faz as ações possíveis com as cartas em mãos, descarta cartas que não sejam interessantes e compra novamente até ficar com cinco cartas na mão.

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Existem cartas especiais que permitem remover ministros corruptos, remover capoeiras, colocarem marcadores de influência diretamente em alguns personagens, etc.

O turno prossegue para o próximo jogador que executa as mesmas ações, e vence quem trouxer um personagem para sua mesa e cumprir seu objetivo de vitória

Eu acho Quissama um jogo extremamente interessante, primeiramente pelo tema, pois é um jogo que pode facilmente ajudar a despertar o interesse ou ser usado como uma ponte para conhecer mais a história do Brasil.

Além disso é um jogo muito rápido (claro dependendo do número de jogadores), e ele roda muito bem com dois ou três. Com dois jogadores ele fica muito dinâmico, sendo possível jogar duas ou três vezes seguidas.

Possui rapidez, variação de estratégias, sorte, possibilidade de atrapalhar um pouco os planos do amigo e tudo isso com um tema muito interessante na minha opinião. Outro ponto importante é que ele possui no manual uma série de possibilidades de variação, o que podem dar um tempero a mais para o jogo.

O jogo tem uma belíssima produção, algumas pessoas notaram que as cartas são relativamente finas e realmente são, mas não vi nisso um grande problema, até porque se você colocar sleeves essa questão está resolvida.

Outro item que chama bastante a atenção é o preço do jogo, que é muito barato pelo que entrega (só compará-lo com outros jogos na mesma faixa de preço).

É um jogo de leve para médio, rápido, bonito e que pode se encaixar em qualquer coleção como um jogo com um bom tema e muito agradável de se jogar.

Outro detalhe que chamou minha atenção foi o insert, que acomoda perfeitamente as cartas com sleeves, um diferencial interessante pois na maioria dos casos o insert não acomoda as cartas com sleeves.

Como já mencionei, Quissama funciona bem com dois jogadores, ouso até mesmo dizer que fica mais estratégico, pois você tem que ficar de olho no jogo do adversário o tempo todo, ou para impedi-lo ou para tirar vantagem das suas ações.
Pontos positivos:

·         Rápido
·         Bela produção
·         Possibilidade de variação estratégica
·         Variantes já propostas pelo designer
·         Abrangente com relação ao público

Pontos negativos

·         Dependente da sorte (o que é um problema para algumas pessoas)
·         Pode ser simplista para alguns

Quissama vale a experiência, que venham mais jogos assim de produção nacional!

Análise também publicada em http://www.ludopedia.com.br
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6 comentários sobre “Quissama – Um jogão nacional!

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